Traça, sim, definitivamente uma traça,
daquelas que comem poeira e sobem pelas paredes e
bibliotecas de nossas residências, que se acomodou
dentro dos objetos, em longa viagem, atravessando o
Brasil do Pará, terra da Cultura Marajoara, até o Rio
Grande do Sul, onde me encontro e leciono. Pouco me
conforta saber que tratava-se de traça importada, vinda
de vôo internacional com escala em Belém. Exclamou
com orgulho que havia subido pela face do escravo de
Michelangelo, comido da poeira do ateliê de Brancusi,
se embriagado na terebintina dos quadros de Giacometti
e observado, através das janelas, os sítios arqueológicos
ao longo do Amazonas, fragmentos cerâmicos sobre
superfícies de “terras de índio”. Se pudesse, pelo menos,
ser seu confidente, conhecer da sabedoria que degustou
nos livros, nos catálogos das exposições, nos Museus,
entre os povos e culturas que me são distantes...
| RETORNE AO BLOG | Carusto Camargo é artista plástico e professor do Núcleo de Cerâmica do Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre - RS.Em sua atividade acadêmica busca construir um saber cerâmico compartilhado com demais Instituições e ateliês de pesquisa e ensino do Brasil e fomentar a produção de obras de Arte Pública em Cerâmica |
