e sua obra dentro do ofício expressivo. Durante a
modelagem, seu corpo constantemente percebe-se
impresso na superfície e observa as marcas de suas
mãos, o gesto interrompido, sua ação e intenção
poética. Constantemente, grava e apaga o registro de
sua memória sobre a matéria e durante este processo
amplia a intimidade de seu olhar, de sua percepção e em
um determinado momento, não mais recua, não mais
avalia a forma, se curva, tangência a superfície, tornase
sua respiração e percorre os espaços do processo,
cultuando-o.
Seu corpo ofício, medida de percepção e de
construção, não aceita mais sua individualidade, tornase
corpo interventor e deforma, grava sua existência
no objeto modelado, seu contra corpo, corpo vazo,
vazocorpo... assustado, temeroso, se afasta, observa
os vestígios de seu corpo impregnados na superfície e
reencontra seu desejo de forma, de materialidade.
