Após o contato com as urnas funerárias das culturas pré-coloniais da Bacia Amazônica e haver impresso todo o meu corpo nas modelagens dos VAZOCORPOS em 2003, durante o mestrado, elaborei uma série de Urnas Contemporâneas na defesa de meu Doutorado em Artes na Unicamp em 2008, quando percebi o percurso de meu corpo nas artes e na cidade e elaborei poeticamente as Minhas Mortes. Construí minha produção cerâmica como um objeto artístico, inútil a função utilitária e ampla de percepção poética, escultórica. Mas também desejei minha escultura útil, urna contemporânea, invólucro de poesia e dentro deste confronto entre o utilitário e o artístico, entre a cerâmica e a escultura, entre o contemporâneo e o pré-colonial, construí meu Ser Cerâmico, percurso de um corpo poético.
Ser Cerâmico
sou um escultor que se apropria da materialidade da cerâmica
sou um ceramista que se apropria dos conceitos da escultura
sou um invólucro que se quer inútil
objeto
sou uma escultura que se quer útil
invólucro
à minha morte




